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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Experiências Discursivas por Maria Cristina Kirach - Conversa sobre Empoderamento de Mulheres.

            No último dia 1º de dezembro de 2016, fui convidada pelas discentes do 5º ano do curso de psicologia da Faculdade Guairacá, para participar de uma das fases do projeto do estágio obrigatório do curso. O projeto das discentes se desenvolveu junto à comunidade, mais especificamente com meninas em situação de vulnerabilidade social no bairro Xarquinho – Guarapuava, várias atividades já haviam sido iniciadas naquela comunidade principalmente com meninas entre 10 e 23 anos, como visitas nas famílias, assistência no posto de saúde do bairro etc.
            O convite que recebi foi para falar sobre empoderamento das mulheres, de uma forma mais descontraída, ou seja, uma conversa mais aberta com as meninas. As atividades começaram no período da tarde, no antigo posto de saúde daquela comunidade que atualmente é utilizado por grupos de mães e mulheres que confeccionam artesanatos e também o espaço é usado para a realização de oficinas e palestras. Inicialmente as discentes realizaram atividades mais dinâmicas para quebrar a tensão entre elas e as meninas, a dinâmica era basicamente retirar perguntas embaralhadas e responde-las se quisessem, as perguntas eram em relação aos gostos, sonhos, problemas sociais atuais, e cada menina ficava livre para responder como se sentisse melhor.
            Após esta primeira parte, as estagiárias realizaram uma roda de conversa sobre sexualidade, a qual foi realizada da seguinte maneira, cada menina que tivesse alguma dúvida ou curiosidades sobre esta temática recebia um papel e escrevia a pergunta, sem identificar-se para evitar constrangimentos, várias meninas perguntaram sobre diferentes temas e os mesmos foram respondidos tanto pelas estagiárias do curso de psicologia como as agentes de saúde do bairro que também se encontravam no local.
            Depois destas atividades acima citadas realizei a fala com as meninas, abordando temas como a divisão e naturalização de papéis sociais, violência doméstica e violência no namoro, gênero, trabalho feminino e a autonomia e empoderamento das mulheres, trazendo alguns pontos do Plano Nacional de Políticas Públicas paras as Mulheres e o enfrentamento de todas as formas de violência contra as mulheres. Também falei sobre os diversos tipos de violência em nossa sociedade (física, psicológica, sexual, institucional etc.) além de falar da importância de denunciar os agressores através do 180 que é a central de atendimento à mulher em situação de violência.
            Também citei as atividades que a Secretária de Políticas para as mulheres de Guarapuava, vem desenvolvendo ao longo destes anos, que é um intenso trabalho tanto no atendimento da Rede de Enfrentamento as mulheres em situação de violência, como a promoção do empoderamneto através da oferta de cursos, como de encanador, eletricista, panificação, doces dentre outros, são cursos que ajudam na formação profissional das mulheres para o mercado de trabalho e também a entrada de renda para o sustento familiar.
            Em seguida realizei uma dinâmica para que todas pudessem interagir e descontrair um pouco, a dinâmica abordava a temática violência doméstica e violência no namoro, e tinha por objetivo desconstruir estereótipos criados entorno da identidade de ser homem e ser mulher. Os materiais utilizados foram três cartazes com frases “concordo”, “discordo” e “não sei”, colados em diferentes lugares, quando eram lidas algumas frases polêmicas tipo: “Se as mulheres são vítimas e não deixam os agressores é porque gostam de ser maltratadas”, as meninas que quisessem participar deveriam se posicionar ao lado do cartaz, se concordavam ou não com aquela frase e as meninas que estivessem na opção “não sei”,  as outras deveriam convencê-las para ir para a opção concordo ou discordo.
            Foi uma experiência significativa conversar com elas, creio que é importante conhecer as realidades em que os (as) adolescentes se encontram, para que o conhecimento sempre parta da realidade dos (as) mesmxs.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

CADERNO DE RESUMOS DA III JORNADA DO PET/HISTÓRIA

CONFIRA O CADERNO DE RESUMOS DA III JORNADA DO PET/HISTÓRIA


O caderno de resumo se encontra disponível para download em PDF, neste link ou no seguimento da página.


A questão da loucura na HQ Batman: Asilo Arkham.

Felipe Raul Rachelle

Este trabalho tem por aspecto central problematizar as questões da loucura e as relações humanas presentes na HQ Batman: Asilo Arkham, procurando estabelecer um diálogo entre a história da loucura, a utilização do quadrinho como fonte histórica e de como a sua construção pode estabelecer um debate sobre a figura do louco na sociedade. Para tanto, pensar os debates acerca da história da loucura, da produção e utilização de quadrinhos nas pesquisas históricas, além de construir uma discussão com a história da arte e de como tais elementos se cruzam na HQ é um dos principais pontos deste trabalho. Entrelaçando uma análise sobre o autor, sua obra e seu contexto de produção, foi possível perceber na HQ elementos extremamente profundos, como a questão da loucura, as relações humanas desenvolvidas na HQ, e a violência como meio de ação e coação dos indivíduos. Atribuir temas tão complexos a obra demonstra o intento do autor em arrancá-la do patamar de simples passatempo, e lançá-la ao mundo como uma obra de arte. Nesse sentido, foram edificadas as discussões, pensando a loucura enquanto uma construção social e as razões pelas quais ela fora escolhida como o elemento narrativo desta história.



Mulheres cientistas Brasileiras nas revistas.

Leidimara de Araujo

O objetivo da minha pesquisa é analisar as mulheres nas ciências e a visibilidade dada a elas pela imprensa brasileira por meio do acompanhamento de noticias da imprensa brasileira, relacionando as com as politicas de equidade de gênero e politicas públicas de incentivo a participação de mulheres na ciência em todo o país. Esta pesquisa esta ligada ao subcampo gênero e ciência. Procurei analisar as Revistas Superinteressante de 1998 até 2015 e Galileu de 1999 até 2015. A imprensa tem se estabelecido como mecanismo, ora de visibilidade, ora de exclusão da participação de mulheres nas ciências. A recuperação, para a história da ciência, de figuras femininas silenciadas e esquecidas, e o estudo empírico e a reflexão sobre a exclusão das mulheres é um campo de trabalho importância indiscutível.(GARCÍA;SEDEÑO, 2006, P.34).



Trabalhadoras domésticas: relações afetivas e memória – Guarapuava PR.

Jadson Stevan Souza da Silva

Esta pesquisa pretende refletir sobre as relações afetivas e a memória de trabalhadoras domésticas, em seus contextos de trabalho, na cidade de Guarapuava – PR. Chamamos a atenção aos aspectos intimistas dessas mulheres quanto a suas histórias de vida. Quais as perspectivas subjetivas dessas mulheres que tem suas famílias, particularidades, anseios, necessidades e que precisaram se desprender desses domínios pessoais para sobreviver? Refletir tais problemáticas enquadrando-as no campo da História das Mulheres de maneira que se permita debater as questões de classe social; raça-etnia; espaço público e privado; identidade e subjetividade; são interesses que permitem discutir o processo de (des)valorização do emprego doméstico e seu papel de conforto e proteção social das famílias que as empregam. Para tanto, faremos uma análise com base nos relatos orais de experiência de empregadas domésticas da região de Guarapuava, com abertura a fontes pessoais dessas trabalhadoras de valor recordativo, tais como fotografias e outros objetos adquiridos no exercício do trabalho doméstico. Pretende-se selecionar trabalhadoras doméstico, com perfis diferenciados (geracional, escolaridade, etnicidade, etc.), para organização das entrevistas. O estudo que se propõe terá como base a pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo, especificamente analítica e em forma de estudos de caso, para o alcance dos objetivos.


A representação feminina em Xena: The Warrior Princess.

Amanda Perbeline dos Santos

A pesquisa ainda em fase inicial pretende analisar se e como a série Xena: The warrior princess trabalha a representação feminina. A proposta é averiguar se a série passa pelo Bechdel Test e como isso é visto dentro da indústria cultural norte-americana. Pretende-se ainda analisar os recursos de roteiro criados pela série. Ainda demonstrar como o chamado 'subtext' é utilizado dentro da representação de gênero e como as personagens Xena e Gabrielle sobrevivem dentro da indústria. Usando como base Clarissa Pinkola Estes que trabalha com o arquétipo feminino nos mitos, muito utilizado na construção de personagens femininas na televisão, Douglas Kellner que trata do conceito de Cultura da mídia, Judith Butler e Robert Weisbrot que trabalha com o universo de Xena e da representação feminina na televisão norteamericana. Xena the warrior princess - Bechdel test - representação feminina.


ANDAR DE SKATE NÃO É CRIME: A HISTÓRIA DE UM PROTESTO SOBRE RODAS.

Vinicius Ferreira

A presente pesquisa se lança no intuito de analisar as manifestações por parte dos skatistas da cidade de São Paulo no final da década de 1980. Essas manifestações se concentraram em uma passeata contra a proibição do prefeito Jânio Quadros, que restringiu o uso costumeiro por parte dos skatistas de andar de skate no parque Ibirapuera e posteriormente em toda a cidade de São Paulo. Vemos na proibição de Jânio, e na resistência por parte dos skatistas um conflito de classes, justamente por isso partimos dos pressupostos teóricos de Edward P. Thompson e seu capítulo três do livro Costumes em Comum (1998), denominado “Costume, lei e direito comum”. A construção do arcabouço documental partirá principalmente de matérias de jornais impressos e fotos do período, além de uma criteriosa revisão historiográfica sobre o tema.


Nuevo Cancionero Popular Paraguayo" como resistência frente a ditadura Stronista.

Danielle Gianinna González Campos

A partir das últimas décadas da ditadura militar de Alfredo Stroessner (1954-1989), surge no Paraguai um movimento musical de crítica social e contestação a opressão vivida no período: o movimento “Nuevo Cancionero Popular Paraguayo”, influência dos movimentos musicais Latino-americanos de protesto, frente aos regimes ditatoriais da América Latina em seus respectivos períodos. Esta pesquisa pretende então, estudar a importância desse movimento na sociedade Paraguaia, vendo a música como manifestação social e cultural, e em especifico, estudar as obras dos paraguaios Carlos Noguera e Maneco Galeano, principais compositores da “Nueva Canción Popular Paraguaya”. Esses dois compositores dialogam com poetas paraguaios oposicionistas ao regime Stronista, como fonte de inspiração para suas composições e poesias, assim como escrevem sobre suas próprias visões da realidade paraguaia, a partir de suas perspectivas sociais e inquietudes. Pretende-se afirmar que Galeano e Noguera assim como Mercedes Sosa, Daniel Viglietti, Victor Jara e Violeta Parra fazem parte do movimento “del Nuevo Cancionero Latino Americano”, que traz a música como forma de resistência as ditaduras instaladas em toda a América Latina. Assim, o estudo dessa “nueva” forma da música paraguaia tem por objetivo dar voz a resistência da sociedade na ditadura Stronista, tão silenciada, como seus aspectos e consequências.


Mulheres rés: processos-crime em Guarapuava (1890-1920).

Maria Cristina Kirach

Este resumo da pesquisa de Iniciação Científica tem dentre seus vários objetivos analisar a construção social sobre o feminino dentro da criminologia, compreendendo as discussões entorno do crime. Para tanto, utilizamos do gênero enquanto categoria de análise, para compreender o discurso jurídico dominante em que mulheres são postas como objetos passivos. As análises tiveram embasamento em 25 processos-crime, como fontes históricas, disponíveis no CEDOC/G da UNICENTRO. Em primeiro lugar buscamos compreender os tipos de crimes cometidos pelas mulheres, analisando suas condições de vida e as relações estabelecidas nas circunstâncias dos atos, traçando um perfil das rés. Buscamos também compreender as representações da violência e da criminalidade naquele contexto histórico. Palavras-chave: Crime; Discurso Jurídico; Gênero; Mulheres.


Os estudos de etnografia indígena em Edgar Roquette-Pinto: uma análise da expedição antropológica ao “Coração do Brasil” (1912).

Matheus Villani

Em 1912, o antropólogo Edgar Roquette-Pinto realizou uma expedição em acordo entre o Museu Nacional e a Comissão Rondon, o qual, o principal objetivo da expedição consistia em obter conhecimento sobre os povos indígenas que habitavam a região onde hoje se encontra o estado de Rondônia. A iniciativa buscava realizar estudos antropológicos de campo, que até então, o próprio Roquette-Pinto apenas organizava documentos que chegavam através das Comitivas de Rondon. Essa Expedição ao “coração do Brasil”, como realça o autor, lhe proporcionou uma visão etnográfica sobre a realidade dos povos que habitavam a região do interior do país. Através dessa experiência o antropólogo registrou os dados em seu diário de campo, obra que em um futuro póstumo ganharia o titulo de Rondonia: Anthropologia-Ethnografia (1917). O objetivo desta pesquisa consiste em analisar como o antropólogo Edgar Roquette-Pinto através dessa expedição científica, retratou os sertanejos e povos indígenas que teve contato durante sua viagem ao interior do Brasil, em especial os índios Nambikuaras. Nutrido de um grande conhecimento etnográfico, Roquette-Pinto registra dados físicos, fichas de retrato falado, fotografias, além de demonstrar a difusão, entre os índios e sertanejos, e como isso influenciou na cultura dos povos até então desconhecidos do Brasil.


MÚSICA, CORPO E IDENTIDADE NO KIKIKOI: UMA ANALISE DISCURSIVA DO RITUAL DOS MORTOS KAINGANG.

Pedro de Oliveira Lefèvre Renó

A Pesquisa tem como foco principal, uma analise discursiva da música e do corpo no Kikikoi, ritual dos mortos realizado em 2000 na terra indígena de Xapecó/ SC, onde através de um registro áudio-fotográfico, busco encontrar e ressaltar os discursos que reforçam a forma dualista do Kaingang entender a realidade. Compreensão essa que ao meu ver, influenciam suas relações orgânicas organizacionais, usando para essas ações uma base única e dualista, que pode ser associada à diversos fatores, como ao seu tronco linguístico. Também pode ser associado à outros aspectos, reforçados por discursos que permeiam toda a existência Kaingang, reproduzidos através por exemplo dos mitos de origem, que trazem traços da cosmologia diretamente para a forma de organização social. Analiso os discursos presentes na sonoridade e na corporalidade do ritual, problematizando as deferentes etapas do ritual, e mostrando que mesmo que subjetivamente, os discursos que constróem essa mentalidade estão presentes. Seja em forma de dança, de pinturas corporais, nos instrumentos ou na própria entonação da voz, todos esses aspectos, assim como toda a existência, são pensados e reproduzidos pelos Kaingang através dessa base dualista, e que segundo alguns estudos, pode ter gerado uma nova forma de duplicação de identidade, podendo ser hoje o Kaingang: Católico, seguidor das crenças e rituais tradicionais onde se identifica como Kamé ou Kairu, ou pode ser “Crente”, não seguidor da tradição Kaingang e nem de seus rituais, sendo também considerada uma forma de se identificar não como minoria, mas sim como parte de uma maioria estabelecida, parte do sistema capitalista.


DOENÇA MENTAL E EUGENIA NO BRASIL (1929-1933).

Vanessa Raquel Correa Daun

Este texto tem como objetivo apresentar o desenvolvimento do projeto de iniciação científica: “Doença mental e eugenia no Brasil: uma análise a partir do Boletim de Eugenia (1929-1933)”, assim, busca-se de modo geral analisar os debates sobre eugenia e doença mental publicados no Boletim de Eugenia, entre 1929 a 1933. De forma mais específica pretende-se compreender a história da psiquiatria no Brasil no início do século, atentando para os personagens e instituições ligados ao campo da psiquiatria, assim como analisar a relação entre o discurso eugênico e psiquiátrico e a doença mental, investigando a relação entre ciência, o campo médico e as discussões sobre raça e identidade nacional no Brasil de início do século XX. A metodologia dessa pesquisa é a analise especialmente do Boletim de Eugenia, periódico publicado entre 1929 e 1932, e que teve um importante papel na difusão e institucionalização da eugenia no Brasil. Além de discussões específicas sobre o campo da eugenia, o Boletim trazia um conjunto de artigos que refletiam sobre temas relacionados ao campo da psiquiatria, sobretudo temática associada às discussões sobre doença mental. Também serão analisados documentos relacionados à Liga Brasileira de Higiene Mental, como o período Archivos Brasileiros de Higiene Mental.


Debates sobre a eugenia na imprensa, debates a partir do jornal O Globo (1920-1930).

Hajane Sandra Kautnick

A pesquisa tem como objetivo analisar os debates sobre eugenia promovidos pela imprensa brasileira, evidenciando discussões divulgadas na páginas do jornal O Globo no período de 1920-1930. Analisa principalmente inquéritos promovidos pelo jornal relacionados a educação sexual, implantação de exames médicos pré-nupciais e debates sobre esterilização eugênica. Interessa também a compreensão das interferências temáticas polêmicas veiculadas no jornal O Globo. Como questões de formação racial brasileira também da educação sexual, controle matrimonial e esterilização eugênica promovendo ideário que eram propostos por médicos, eugenistas, educadores e autoridades públicas. Além de analisar a relação entre ciência, sociedade e raça no Brasil de inicio do século XX.


Pensamento Racial, Eugenia das décadas de 10 a 30 e a sociedade eugênica de São Paulo 1917-1918.

Maxwel Nunes de Oliveira

A pesquisa tem como foco destacar o pensamento de intelectuais eugenistas entre as décadas de 1910 e 1930 no Brasil. O movimento eugenista, organizado depois da Primeira Guerra Mundial, formado por médicos, higienistas, advogados e educadores, e a preocupação com as ideologias raciais, como saneamento, higiene, saúde pública e educação, as ideologias raciais e formação de nacionalidade também influenciaram o pensamento de sociedade eugênica no Brasil e também a trajetória de Renato Kehl e sua liderança no movimento no movimento eugenistas Brasileiro. As atividades intelectuais de Khel, entre as décadas de 1910 a 1930 se destacaram pela organização do movimento eugenista brasileiro, em especial fundação da sociedade eugênica de São Paulo, o que daria inicio a uma reunião de médicos para incutir a ciência eugênica de Francis Galton, organizado em 1917. Após a reunião de Kehl enviou uma circular aos médicos do município e do estado propondo a criação de uma nova sociedade cientifica. A Sociedade Eugênica de São Paulo realizou seu primeiro encontro em 15 de janeiro de 1918. A sociedade reuniu 140 membros.


Uma análise da URSS, através dos filmes de Andrei Tarkovsky.

Maxton Moreira Filho

A pesquisa, tem como foco três filmes do cineasta Russo Andrei Tarkovsky, seriam essas Ivanovo Detstvo (A infância de Ivan), Solyaris (Solaris) e Nostalghia ( Nostalgia). Através desses filmes e usando o metodologia proposta pelo historiador francês, Marc Ferro, da terceira geração dos annales problematizar o que o mesmo chame de "sociedade que produz, sociedade que recebe", encontrar a zona de realidade (social) visível e não visível, que seria a ideologia que o autor dos filmes coloca de forma consciente e inconsciente em suas obras. Entender o filme como uma fonte histórica, mesmo que ele seja uma obra ficção. Esse método de analisa vai além de interpretar o filme, mas entender a sociedade que o concebeu, analisar as vertentes ideológicas dos indivíduos que o produziram, e identificar a recepção dessa mesma sociedade, se condizia com as ideias que vigoravam no seu meio social. Os tres filmes são de momentos diferentes de um mesmo regime, e é através deles que a pesquisa pretende problematizar e identificar esses períodos e identificar a influência dos mesmos no filme.


As manifestações de junho de 2013 por meio das revistas Carta Capital e IstoÉ.

Dyener Santos

Orientado pelo professor Fábio Ruela de Oliveira, a problemática desta pesquisa é lançar questões sobre as análises midiáticas acerca dos eventos e grandes manifestações de junho de 2013 em São Paulo e no Brasil. Neste sentido, optamos por tomar como objeto de análise duas revistas popularmente difundidas: Carta Capital e IstoÉ. Intentaremos encontrar o posicionamento político de cada revista, partindo dos textos que tratam do cenário político brasileiro em 2013. Sendo assim, buscamos demonstrar o contraste entre as duas revistas, com o intuito de ampliar as análises acerca destes eventos de grande dimensão para a história do Brasil recente. A proposta compreende o recorte temporal entre janeiro e outubro de 2013. A intenção deste recorte é analisar textos que retratam o período das grandes manifestações que ocorrem em todo o Brasil – principalmente durante o mês de junho. Pretende-se analisar textos de alguns meses anteriores a junho, com a intenção de compreender a atmosfera política do Brasil. Nos meses posteriores a junho, buscaremos compreender os significados e legados, que aquelas manifestações que se iniciaram por conta do transporte público em São Paulo, deixaram nos corações e mentes dos brasileiros. A perspectiva da atualidade não será negligenciada. A escolha de Gramsci como principal referencial teórico deste trabalho deve-se aos seus conceitos de hegemonia; intelectuais tradicionais; e intelectuais orgânicos – os quais facilitam a análise proposta. Para Hobsbawm (2011), Gramsci é um dos mais importantes teóricos marxista pois contribui de forma significativa para construção de uma teoria política do marxismo.


O movimento punk na região de São Paulo entre 1975 a 1985.

Daniel Michel Vieira Lopes

A pesquisa diz respeito ao movimento punk no Brasil na região de São Paulo durante o período de 1975 a 1985. A pesquisa visa compreender o punk como um movimento social em suas características marcantes como roupas, música, ideologia e como se deu a formação deste movimento como grupo social e identitário, trazendo à tona questões políticas e sociais que acompanham a cena no Brasil. Para isso farei uso do documentário “Botinada: a origem do punk no Brasil”, direção de Gastão Moreira, 2006, enquanto fonte histórica secundária para acompanhar o início e desenvolvimento do punk em São Paulo.


VOCÊ ESTÁ FALANDO COMIGO? Os homens solitários em Taxi Driver e Colateral.

Artur Felipe Santos Lopes

A partir da década 1960, em função de diversas mudanças de ordem econômica e cultural, a indústria do cinema de Hollywood sofreu uma forte mudança. Uma nova geração de cineastas surgiria e marcaria sua época por conta da abordagem de temas caros à sociedade estadunidense, crítica social, e tom pessimista. Várias dessas produções eram pautadas os dilemas de pessoas comuns. Nos últimos anos, diversos historiadores e pesquisadores de outros campos se debruçaram sobre este vasto período de produções cinematográficas, e vêm criando um prolífero diálogo acadêmico. Com base nessas recentes discussões e produções metodológicas sobre a relação existente entre História e Cinema, este artigo preocupou-se em analisar as representações cinematográficas da solidão e do individualismo no contexto urbano, presentes nos filmes Taxi Driver e Colateral, levando e conta os contextos históricos e o processo criativo das respectivas obras. Assim elaboramos um ensaio teórico que nos permita uma reflexão sobre o papel da veiculação ideológica, da produção de sentidos e das possibilidades de interpretação, bem como suas influências sobre a análise histórica.


HISTÓRIA DA LOUCURA E HUMANITARISMO: A REFORMA PSIQUIÁTRICA NO HOSPITAL COLÔNIA ADAUTO BOTELHO (1995-2001).

Jakeline Santos Carvalho

O trabalho propõe a investigação da Reforma Psiquiátrica no Hospital Colônia Adauto Botelho, em Pinhais, entre os anos de 1995 a 2001. Os eixos centrais da investigação serão as condições da implementação da reforma através dos documentos oficiais da instituição, de depoimentos e da base jurídica que permitiu a mesma. Para tanto partimos de discussões em torno da historicidade do processo em questão e de História da Loucura e da Psiquiatria com o objetivo de compreender as representações em torno de saúde mental do Paraná naquele período. Serão mobilizadas análises em torno da ordem discursiva dos testemunhos e das sociabilidades no papel desempenhado pelo Estado no que diz respeito às leis e portarias que possibilitaram aos poucos as mudanças dentro da instituição, que representam a noção de biopolítica. Ao cabo, pretendemos esclarecer parte da História da Loucura e da Psiquiatria em meio ao processo complexo da Reforma Psiquiátrica, através da busca por uma humanização do saber médico. Assim, as mudanças são históricas e a Reforma, entendida como ruptura a anos de conflitos internos da própria psiquiatria, é ainda uma constante que prossegue em movimento e disputando seu espaço junto as diversas relações de saber e de poder.


Ecologia na Imprensa: uma análise de história ambiental da Revista Globo Rural.

Denis Henrique Fiuza

Este trabalho tem três objetivos principais. O primeiro é refletir sobre as possibilidades de analises históricas possíveis a partir da revista Globo Rural e de sua complexa rede de relações sociais, além de analisar a interação da mesma com o público leitor em geral, e em especial com os produtores rurais. A segunda, diz respeito a questão chave: a ecologia. Nesse tópico realizo uma análise do discurso ecológico da revista, e que tipo de preservação do meio ambiente ela propõe e defende. E na terceira parte procuro lançar algumas hipóteses que surgiram durante a análise da revista, principalmente no que diz respeito a uma nova valorização do ambiente rural identificada em várias edições da revista.


Ciência Hoje e a invisibilidade das produções femininas?

Aline Teodoro dos Santos

Compreendendo a capacidade de difusão da revista Ciência Hoje no fazer científico, assim como o seu meio de circulação, ou seja, não ligado unicamente ao universo acadêmico, fica evidente seu papel na popularização da ciência. Sendo assim, a presente pesquisa que se encontra em desenvolvimento, foram analisadas 12 revistas que correspondem aos anos de 1990 e 1991, se utilizando da categoria de análise gênero. A revista é compreendida como portadora de um discurso do lugar em que a mulher ocupa na sociedade, nesse sentido, no que tange a revista Ciência Hoje o enfoque que a norteia é relacionado ao espaço da divulgação da produção científica das mulheres cientistas brasileiras, demonstrando se existe ou não a invisibilidade. Diante das análises realizadas, a revista nos permite perceber o surto de pesquisas voltadas à área das ciências biológicas na quarta edição do ano de 1990, onde, 90% das publicações estão voltadas a essa área, para além dessa edição, temos um número significativo pesquisas voltadas que também são voltadas a essa área que vem permeando suas edições. Outro fator a ser ressaltado é em relação as publicações que essas mulheres realizam, tendo em vista que a revista em sua estrutura recebe artigos de divulgação de pesquisa, resenhas, curiosidades, notas explicativas, etc, isso se caracteriza como uma fator importante, tendo em vista a necessidade de realizar as produções realizadas por essas mulheres.  


Periódico "Esquema do Oeste" e a violência contra mulher.

William Fernando Peplow

As problemáticas das pesquisas desenvolvidas pelos historiadores têm uma ligação direta com o contexto espaço temporal em que estes profissionais estão inseridos. Assim como atualmente tem-se um aumento considerável nas discussões acerca dos papeis de gênero, desigualdade entre os sexos e violência contra mulher, acabou sendo construído o projeto de iniciação científica denominado “Violência contra mulher e sua abordagem no jornal Esquema do Oeste”. Coordenado pela professora Luciana Rosar Fornazari Klanovicz e inserida no campo de Estudos de Gênero e História, esta pesquisa tem como finalidade identificar e analisar como o periódico “Esquema do Oeste” desenvolveu uma narrativa acerca da violência contra mulher em suas notícias e matérias no decorrer da década de 1980. Com os resultados iniciais da problematização realizada sobre as fontes foi possível constatar que este jornal apresenta matérias discutindo a criminalidade e também notícias sobre casos de violência, principalmente na coluna dedicada as informações do município de Prudentópolis. Porém a criminalidade destacada tem como enfoque os assaltos e roubos e os casos de violência expostos tiveram como vítima os homens e casais heterossexuais. Mas como a pesquisa ainda encontra-se em desenvolvimento outros resultados e percepções sobre esta temática poderão emergir, durante a análise das fontes.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

África e Cultura Afro-Brasileira: História e desafios . Por. Maria Cristina



África e cultura afro-brasileira:  História e desafios

             As discussões sobre o ensino de História da África, em diversos níveis educacionais são de grande importância, mas para que houvesse o ensino desta temática nos currículos escolares foi preciso à aprovação de uma lei que obrigasse o ensino de História da África e da cultura afro-brasileira, a lei 10.639/03. No Brasil essa temática é relevante, pois nosso país possui uma ligação com a África em diversas questões tanto na formação do Brasil, a religião, a cultura, as influências alimentares, dentre outras formas que contribuem para a nossa diversidade cultural. Mas ainda hoje existem preconceitos e discriminações em relação à África, neste sentido cabe não só ao professor, mas a todo o corpo escolar educador a contribuição para a desmistificação sobre a África, através da História desse continente e as relações com o nosso país.


            Quando olhamos para a historiografia contemporânea sobre a escravidão africana no Brasil podemos analisar que a mesma trabalha com essa temática analisando a escravidão no território como um passado de formação da identidade de um grupo (GUILLEN, 2008, p.343) e que além de denunciar as práticas de maus tratos e horrores, procura demonstrar que essa história é sobre indivíduos de carne e osso que foram capazes, mesmo com toda a experiência do tráfico, de recriar e de reelaborar as mais diversas formas culturais que nos remete a África. Esses estudos são importantes para compreender que os africanos aqui desembarcados não sejam vistos apenas como vítimas, como a história oficial coloca, mas que também elaboraram formas de resistências, através de práticas culturais e manifestações corporais e artísticas, como o exemplo da capoeira.

            Como sabemos o conhecimento proporcionado pela história é relevante para a formação das identidades, nesse sentido o ensino de história da África vem a contribuir para uma reflexão do processo de transmissão dos valores e a contribuição para diminuição do racismo e preconceitos existentes em nossa sociedade, que alimentou a existência da democracia racial, onde se acreditava não existirem diferenças em relação à cor da pele, todos teriam as mesmas oportunidades de emprego, acesso ao ensino público, sabemos que isso não é verdade, por isso além do ensino de história da África abrir novas possibilidades de reflexões sobre a diversidade cultural de nossa formação também vem a romper com a estrutura eurocêntrica da educação brasileira (GUILLEN, 2008, p.344).

            Mas é preciso ressaltar as medidas de fomento para o ensino de história da África, como a formação de profissionais nesta área através da abertura de um número maior de programas de pós-graduação, e também a dificuldade do acesso a historiografia sobre a África, e a forma que são trabalhadas as diretrizes do ensino de história e cultura afro-brasileira e africana, e que esse ensino seja um espaço para discussões e reflexões sobre as desigualdades sociais, pensando de forma crítica o que vem acontecendo atualmente em nossa sociedade. 

Referência:
GUILLEN, Isabel Cristina Martins.  África e cultura afro-brasileira: Imbricações entre história, ensino e patrimônio cultural. CLIO-Série Revista de Pesquisa Histórica – N. 26-2, 2008.

domingo, 13 de julho de 2014

EXPERIÊNCIAS DISCURSIVAS


Experiências Discursivas
Por Maria Cristina


     Durante a II Jornada do PET/História, aconteceram varias atividades durante este evento, como no dia 04 de julho, onde participei no mini auditório, do cine debate, com a temática cinema e história, palestrada pelo Msc.Alexandre Kosteczka assistimos ao documentário: “Jogo de Cena” de Eduardo Coutinho, este documentário tratava das representações, a relação do personagem com o objeto.

     A história oral, um método usado por Coutinho, que trabalha com testemunhos de mulheres, acima de 18 anos que aceitaram o convite para atuar no teatro, dando os seus depoimentos sobre os motivos e trajetória de suas vidas, muitos desde fatos eram trágicos envolvendo a dor de uma perda de um familiar, a relação pai-filho, a busca pelos sonhos e a ilusão da realidade.

  
    Nas discussões Alexandre Kosteczka propõe a reflexão se o filme apresentado tinha caráter de ficção ou de documentário, pelo fato das atrizes interpretarem as personagens, a emoção que elas sentiram ao encenar, tentar imaginar qual seria a reação dos espectadores ao assistir aquelas imagens, o diálogo do entrevistador e do entrevistado.

     Alexandre propõe o questionamento da verdade que Coutinho trabalha a relação com a ética, o processo de intervir nas falas. Foi uma experiência muito boa, contribui para uma visão de como é a representação e o trabalho com os testemunhos.